Sócia e diretora de planejamento da agência ribeirão-pretana 6P, Silvia Bianchi Machado revela o que viu e viveu no Festival Internacional El Ojo de Iberoamérica, realizado entre os dias 6 e 8 de novembro, em Buenos Aires, Argentina.

“Participei, durante a última semana em Buenos Aires, do El Ojo, festival sobre propaganda que conecta anunciantes e agências de toda Ibero-América. Com o tema ‘Ve más alla‘, grandes, médias e pequenas agências apresentaram trabalhos e conferências sobre o futuro da indústria da comunicação.

A forma de se comunicar é uma reinvenção diária. Os meios de fazermos as mensagens das marcas para as quais trabalhamos chegarem aos seus públicos mudam muito, se multiplicam em novidades tecnológicas, ganham velocidade a cada dia. Até aqui, nada de novo. Mas, cumprindo o propósito que tenho praticado de enxergar além do óbvio, o que eu vi no festival foi, muito claramente, a importância das marcas se comunicarem através de temas importantes e urgentes, da sustentabilidade à inclusão.

O mundo nos pede um consumo mais consciente e sustentável, e as novas gerações parecem dar atenção somente às empresas que se comunicam de formas verdadeiras e coerentes com suas práticas.

E é justamente nesse ponto, entre o que é discurso e o que é prática, que considero que nós, profissionais de marketing, estamos sendo desafiados diariamente.

Não quero aqui falar sobre a transformação digital pela qual todas as agências e anunciantes estão passando. Uns mais rapidamente que outros, estamos todos envolvidos em criar e usar mecanismos tecnológicos que nos permitam maior eficiência no alcance, na mensuração e nos resultados de nossas campanhas.

Quero, neste texto, abrir conversa sobre uma outra transformação: o comportamento contemporâneo pede uma ação imediata do marketing no sentido de ilustrar com suas ferramentas e criatividade, as novas formas de existirmos como sociedade. Quando todos falam que conexão é algo imprescindível, é bom entendermos o essencial: é pela comunicação criativa, responsável e profissional que vamos conectar valores a comportamentos mais contemporâneos. E é assim que o novo consumo, mais consciente e moderno, vai se estabelecer.

Sou planejadora e tendo a ter uma curiosidade natural pelo que se estabelece na mentalidade das pessoas e como isso influencia a forma delas consumirem. E hoje observo marcas mudas demais. Ou faladeiras demais. O discurso sensato é para as empresas e as agências corajosas, aquelas que olham para além dos dashboards e dos infinitos relatórios gerados por dados e rastros que os consumidores deixam a nós, publicitários, muitas vezes, inconscientemente.  O que podemos enxergar nesses rastros, a grosso, mas, fundamental modo, é um mercado que grita por socorro.

Assim, quando, num festival ibero-americano, que mostra muito da cultura passional típica de países que nos cercam, vemos a valentia de marcas que trocam anúncios pelas ações de rua, que usam a tecnologia para engajarem seus consumidores em experiências mais conscientes, que pedem desculpas por comportamentos impróprios do passado, que questionam sem medo os velhos hábitos e abraçam com verdade os novos, podemos concluir que o marketing é, sim, uma ciência viva e poderosa. Talvez, a ciência que pode amplificar a percepção das mudanças necessárias para uma era de coexistência real e virtual.

Por isso, volto do El Ojo mais orgulhosa da profissão que tenho. Mais compromissada em fazer da agência um centro de integração de ideias e pessoas. Mais disposta a mostrar para meus clientes que eles podem ir além em seus discursos sobre diversidade e inclusão. E que isso é a prática de mercado mais valiosa e importante para os tempos atuais.”

Silvia Bianchi Machado – CPO